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História da família: como entrevistar os mais velhos

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Quem na sua família ainda lembra o nome da cidade de onde veio o seu bisavô? Faça a conta de quantas pessoas cabem nessa resposta e você vai entender a pressa deste texto.

Cartório não fecha. Livro de igreja não some da noite para o dia. Registro digitalizado fica onde está esperando você ter tempo. Só uma fonte da sua pesquisa tem prazo, e é a mais valiosa de todas.

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A memória dos parentes mais velhos é a única parte dessa história que não dá para recuperar depois. Aqui vai como conversar com eles, o que procurar em casa e onde guardar o que você conseguir.

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Neta conversando com a avó na sala enquanto grava a conversa pelo celular

Principais Conclusões

  • Os parentes mais velhos são a única fonte da sua pesquisa que tem prazo de validade
  • Pergunta aberta rende história; pergunta de sim ou não encerra a conversa em dois minutos
  • Grave o áudio: a ficha do aplicativo cita gravações de áudio entre o que dá para preservar
  • Certidões, registros de imigração e o verso das fotografias são os documentos que mais rendem
  • O aplicativo Árvore do FamilySearch é gratuito e, na consulta feita, a ficha não indicava anúncios nem compras
  • A própria ficha avisa que o conteúdo enviado sobre pessoas falecidas fica visível publicamente

A fonte que tem prazo de validade

Toda pesquisa de família tem duas fontes: o papel e a pessoa. O papel espera. A pessoa, não.

Um livro de batismo de 1890 vai continuar existindo no ano que vem. A tia de 87 anos que sabe por que a família mudou de cidade em 1952 é a única cópia dessa informação no mundo.

É por isso que a ordem certa é ao contrário do que quase todo mundo faz. Primeiro converse com quem está vivo. Depois vá atrás dos registros.

Por que a memória de família some tão rápido

Existe um fenômeno curioso e bem documentado: a maioria das pessoas sabe o nome dos avós, hesita nos bisavós e não conhece nenhum nome além disso.

São três gerações de alcance, mais ou menos um século. Tudo o que fica para trás vira névoa em duas ou três décadas, mesmo em famílias que sempre moraram no mesmo lugar.

A causa não é falta de interesse. É falta de registro. Ninguém anotou, e quem sabia não foi perguntado a tempo.

Não espere a data certa

O maior inimigo dessa conversa é a espera pelo momento ideal, aquele almoço de fim de ano em que todo mundo estará reunido e disponível.

Esse momento tende a nunca chegar do jeito imaginado. E quando chega, a casa está cheia, a televisão ligada e ninguém consegue prender a atenção de ninguém por vinte minutos.

Uma tarde qualquer de terça-feira rende mais. Uma pessoa, um café, sem plateia. Marque a primeira antes de terminar a semana.

Como preparar a conversa

Chegar sem preparo transforma a entrevista num bate-papo agradável que não sobra nada. Meia hora de preparação muda o resultado.

Antes de ir, escreva o que você já sabe daquele ramo: nomes, datas aproximadas, cidades. Isso mostra os buracos e evita que você gaste a visita perguntando o que já sabia.

Leve poucas perguntas. Cinco boas rendem mais do que trinta. E avise que você quer registrar a história da família, porque quase todo mundo se dispõe quando entende o motivo.

As perguntas que abrem o baú

A diferença entre uma resposta seca e uma história de vinte minutos está quase sempre na forma da pergunta. Estas costumam funcionar.

  • Como era a casa em que a senhora cresceu? Quem dormia em cada cômodo?
  • Do que o seu pai trabalhava, e como ele aprendeu esse ofício?
  • Por que a família se mudou daquela cidade? Quem decidiu?
  • Como os seus pais se conheceram? Quem contava essa história em casa?
  • Qual foi o dia mais difícil que você lembra? E o mais feliz?
  • Tem alguma história que se contava sobre um parente antigo, mesmo que ninguém saiba se é verdade?

Grave o áudio, não só anote

Anotar é melhor do que nada, mas anotação perde o que mais importa: o jeito de falar, o riso no meio da frase, a palavra antiga que ninguém usa mais.

Peça permissão e grave. Qualquer celular resolve, e a pessoa esquece do aparelho depois dos primeiros minutos de conversa.

A descrição na loja do aplicativo cita justamente gravações de áudio, junto com fotos e histórias escritas, entre o que dá para preservar. Existe lugar para guardar isso.

Deixe divagar e saiba quando parar

O instinto de quem entrevista é trazer a pessoa de volta ao assunto. Resista. A digressão costuma ser onde mora a melhor parte.

Silêncio também trabalha a seu favor. Depois de uma resposta curta, espere alguns segundos antes de fazer a próxima pergunta. Muita gente completa a história para preencher a pausa.

E encerre antes do cansaço. Uma hora é bastante. Vale mais voltar três vezes do que esgotar a pessoa numa tarde só.

A caixa de sapato de toda família

Quase toda casa antiga tem uma. Caixa de sapato, lata de biscoito, gaveta do armário do quarto: é ali que os documentos da família costumam terminar.

Peça para ver. Esse pedido costuma render mais do que a entrevista inteira, porque cada papel puxa uma lembrança que a pergunta sozinha não alcançaria.

Vá junto, com calma e sem pressa de organizar. O objetivo do primeiro dia é ver o que existe, não classificar.

Os documentos que mais rendem

Nem todo papel guardado ajuda na pesquisa. Estes são os que costumam destravar uma geração inteira.

  • Certidões de nascimento, casamento e óbito, que trazem nomes dos pais e testemunhas
  • Registros de entrada e listas de passageiros, no caso de famílias imigrantes
  • Carteira de trabalho antiga, com datas, empregadores e cidades
  • Cadernetas militares e títulos eleitorais antigos
  • Fotografias com anotação no verso, principalmente as de casamento e batizado
  • Cartas, postais e envelopes com endereço de remetente

Fotografe na hora e identifique cada foto

Não leve os originais para casa. Fotografe ali mesmo, com boa luz, e devolva tudo à caixa antes de sair. Documento de família some quando muda de endereço.

Fotografe também o verso. Nome, data e local escritos a lápis atrás de um retrato valem tanto quanto a imagem da frente.

E aproveite que a pessoa está do lado: peça para ela apontar quem é quem em cada foto. Depois que ela não estiver mais ali, aquele grupo de sete pessoas vira um retrato de desconhecidos para sempre.

Onde o aplicativo entra

Depois de duas ou três conversas, você terá áudios, dezenas de fotos e um caderno com nomes soltos. É nessa hora que a coisa costuma travar.

O aplicativo Árvore do FamilySearch serve exatamente como o lugar onde esse material passa a ter estrutura. A descrição na loja apresenta a proposta como descobrir e documentar seus próprios ramos, preservando recordações de família.

A ficha também informa que o aplicativo sincroniza com o site do serviço, então o que você registra pelo celular fica disponível nos outros dispositivos.

Fotos, histórias e áudio no mesmo lugar

O ponto que mais interessa a quem acabou de entrevistar a avó é onde colocar aquele material.

Segundo a descrição, dá para acrescentar detalhes sobre a vida, fotos, histórias e gravações de áudio dos seus parentes, ligando cada coisa à pessoa certa dentro da árvore.

A diferença é grande. Em vez de uma pasta no celular chamada fotos antigas, cada documento fica preso ao nome de quem ele descreve — e continua fazendo sentido daqui a vinte anos.

Registros históricos e as dicas do app

Depois que a base de nomes está lançada, o trabalho muda de natureza: você sai da conversa e entra na documentação.

A ficha do aplicativo cita a pesquisa em registros históricos e uma área de tarefas, que mostra quais antepassados já foram encontrados nos registros e sugere o que fazer em seguida.

É o tipo de recurso que evita a paralisia do começo. Em vez de encarar um acervo enorme sem rumo, você recebe um próximo passo por vez.

Onde a família viveu, no mapa

Um recurso citado na ficha costuma passar despercebido e ajuda muito na hora de conversar com os parentes.

A descrição menciona a possibilidade de explorar em mapas os lugares onde ocorreram os eventos importantes da vida dos antepassados.

Ver a família se deslocando pelo mapa ao longo das gerações transforma uma lista de cidades em história. E costuma provocar novas lembranças em quem você entrevistou.

Como baixar no Android

Na Google Play, o aplicativo aparece como Árvore do FamilySearch. Confira o desenvolvedor antes de instalar: deve ser o FamilySearch International.

Na consulta feita à ficha, o aplicativo não indicava anúncios nem compras dentro do app — o que é raro e torna o uso bem mais tranquilo.

Se preferir, use o botão desta página para ir direto à ficha oficial na loja.

Como baixar no iPhone

Na App Store o nome aparece como FamilySearch Árvore, do mesmo desenvolvedor, nas categorias Referência e Estilo de vida.

O download é gratuito e a classificação indicativa da ficha é de 4 anos. Será pedido um cadastro, porque a árvore é compartilhada entre os usuários do serviço.

O botão desta página também leva direto para a loja da Apple.

Antes de enviar a gravação da sua avó

Este cuidado é específico de quem chega com material de entrevista na mão, e muita gente descobre tarde demais.

A própria ficha do aplicativo avisa: todo o conteúdo fornecido sobre antepassados falecidos fica visível publicamente. Isso vale para foto, história escrita e áudio.

Antes de subir a gravação inteira, ouça de novo pensando em quem mais pode escutar. Histórias sobre pessoas vivas, brigas de família e assuntos delicados merecem ficar fora — ou guardados só no seu arquivo pessoal.

Vale a pena?

Se você tem um parente com mais de 70 anos ao alcance de um telefonema, vale — e vale esta semana. O aplicativo é gratuito, mas o que ele guarda depende de uma conversa que só você pode ter.

Se a ideia é apenas descobrir um dado curioso e fechar o assunto, existem buscas mais rápidas na internet. Elas entregam raso, igual para todo mundo, e não preservam nada.

As informações deste texto vêm da ficha oficial nas lojas e podem mudar a qualquer momento, assim como as condições de uso e a disponibilidade dos registros. Confirme sempre na página do aplicativo antes de instalar. Não nos responsabilizamos por alterações feitas pelo desenvolvedor, pelo conteúdo de registros de terceiros ou pela sua experiência de uso.

FAQ

Por onde começo se nunca conversei sobre isso em casa?

Comece pelo parente mais velho que você tem contato fácil, com cinco perguntas abertas e um café. Não tente cobrir a família inteira na primeira visita: uma pessoa, uma hora, e volte outra vez.

Preciso de gravador ou o celular resolve?

O celular resolve. Peça permissão, apoie o aparelho perto e esqueça dele. A pessoa também esquece depois dos primeiros minutos. A descrição do aplicativo cita gravações de áudio entre o que dá para preservar junto com fotos e histórias.

E se o parente não quiser falar de certos assuntos?

Respeite e mude de assunto sem insistir. Muitas famílias carregam episódios dolorosos, e forçar costuma encerrar a conversa de vez. Volte outro dia por outro caminho, começando por lembranças boas.

Posso levar os documentos antigos para casa?

O ideal é não levar. Fotografe ali mesmo, com boa luz, incluindo o verso das fotografias, e devolva tudo à caixa antes de sair. Documento de família tem uma tendência conhecida de sumir quando muda de endereço.

O aplicativo é gratuito?

A ficha afirma que a Árvore Familiar do FamilySearch é sempre gratuita, e na consulta feita não constavam anúncios nem compras dentro do aplicativo. Como qualquer condição pode mudar, vale conferir na página do app antes de instalar.

O que eu enviar fica público?

A ficha avisa que todo o conteúdo fornecido sobre antepassados falecidos fica visível publicamente, e isso inclui fotos, histórias e gravações. Vale ouvir o áudio de novo antes de enviar, pensando em quem mais pode escutar.

Que documento ajuda mais na pesquisa?

Certidões de casamento costumam render mais, porque trazem os nomes dos pais dos noivos e das testemunhas, abrindo duas gerações de uma vez. Para famílias imigrantes, os registros de entrada e as listas de passageiros são o ponto de virada.

Preciso criar conta no aplicativo?

Sim. Como a árvore é compartilhada entre os usuários, o cadastro identifica quem adiciona e edita cada informação. É o funcionamento esperado de um serviço colaborativo, e permite que outros parentes encontrem o que você registrou.

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